domingo, 10 de março de 2019

Torres del Paine - Patagonia Chilena - Parte 3

Parque Nacional Torres del Paine - Dias 2 e 3


O segundo dia em Torres del Paine amanheceu lindíssimo, com as Torres totalmente descobertas. O café da manhã com aquele visual foi inesquecível.
Saímos em seguida para aproveitar bem o dia. O vento tinha diminuído tornando tudo mais agradável. Na portaria Laguna Amarga tinha fila, mas como já tínhamos ingresso não tivemos que esperar. Seguimos no mesmo sentido do dia anterior, com destino ao Mirador Cuernos.
Novamente muitos guanacos pelo caminho e paisagens lindas. Minha filha adora animais e tem uma predileção por raposas, estava louca para vez um zorro. Nesse primeiro trecho vimos 2, ela ficou eufórica! Ficamos muito felizes com a sorte que tivemos!
Nossa ideia original era pegar o barco e atravessar até o Refúgio Paine Grande, dar uma caminhada pela trilha no sentido do Refúgio Los Cuernos para ver o visual. Para isso fomos direto até o Porto Pudeto. No entanto quando chegamos lá, os horários de travessia estavam diferentes do divulgado no site, não teria a travessia de volta às 14:35, o próximo horário seria às 17, o que ocuparia praticamente todo o nosso dia. Com tantas coisas para fazer desistimos da travessia. 
Seguimos então até o estacionamento do Salto Grande, onde fica o início da trilha para o Mirador Cuernos. Essa trilha é curta, dá mais ou menos 1 hora de caminhada até lá, e achamos que dava para encarar com a Clara. Valeu muito a pena, o visual é realmente fantástico. O vento castigou bastante, Clara reclamou um bocado, mas todos curtimos muito. Passamos um bom tempo admirando o lugar, fizemos um lanche e depois voltamos calmamente, passando dessa vez pelo Salto Grande.
Voltamos até o carro e seguimos mais um pouco, sempre acompanhando o lago Pehoe, até a Hosteria Pehoe, lugar com uma das vistas mais incríveis do Parque, onde paramos para almoçar. Pedimos hamburgueres para nós (o preço era mais razoável) e um menu do dia para a Clara (ela não gosta de hamburguer), estava tudo muito bom, especialmente o prato da Clara (rsss).
Depois de comer muito bem, continuamos nosso roteiro seguindo até Lago Grey. Pegamos algumas obras na estrada, o que fez com que demorasse mais que o esperado. Lá tem outra área de visitação, com lanchonete, mercadinho, banheiros, além de uma trilha curtinha até a beira do lago, onde algumas vezes se consegue ver blocos de gelo que se desprendem do Glaciar Grey. Um pouco distante ficam o hotel e o restaurante, que acabamos não indo conhecer. A trilha começa com a travessia em uma ponte pênsil sobre um rio revolto, me deu um certo medo de atravessar, passei o mais rápido que pude, já o Jorge e a Clara foram tranquilos (até demais para o meu gosto). A trilha passa por uma floresta de Lengas (árvore típica) bem bonita, mas o lago em si não achamos muito interessante. Existe um passeio de barco que sai do Hotel Grey que passa perto do Glaciar, mas custa bem caro e acabamos não fazendo.
Na volta demos uma passada na Sede Administrativa do Parque, onde tem informações turísticas sobre história, geologia, botânica, animais nativos e uma linda maquete do parque.
Pensamos em ir até a Portaria Serrano, procurar outro local para jantar, mas já havíamos rodado bastante e preferimos voltar com calma até nosso Refúgio. Foi um dia super gostoso, com clima perfeito, voltamos felizes e agradecidos. Jantamos no Refúgio mesmo e fomos dormir cedo.
No dia seguinte, infelizmente nosso ultimo em Torres, entramos mais uma vez pela Portaria Laguna Amarga e seguimos até o Refúgio Las Torres, que é o ponto de partida para boa parte das trilhas. Este é o último local onde se pode chegar de carro particular, a não ser que se esteja hospedado no Hotel Las Torres, que fica bem próximo.
Paramos e ficamos admirados com a excelente estrutura que foi construída ali, com lanchonete, mapas explicando as trilhas, lojinha, ótimos banheiros. Dali também é possível avistar de longe uma das opções de hospedagens mais interessantes dentro do Parque, os Ecocamp, o chamado Glamping, um tipo de camping bastante luxuoso, pena que são caríssimos!
Caminhamos até o Hotel Las Torres, observando as pessoas passando para as trilhas. Confesso que deu uma saudade grande de quando eu também passei por ali, há muitos anos atrás, começando a trilha de 6 dias. Voltamos até a cafeteria próxima do refúgio, tomamos um café / suco, pegamos o carro e voltamos até o Refúgio Laguna Amarga, onde pegamos nossas malas e partimos rumo a Puerto Natales.
A viagem de volta foi super tranquila, passamos novamente no El Ovejero em Cerro Castillo (dessa vez não tinha empanada...). Em Puerto Natales ficamos em outro hotel, o Hostal America. Gostamos bastante desse hotel também, o pessoal era muito simpático, hotel bem novo e confortável.
Como chegamos cedo ainda deu tempo de dar mais uma volta pela cidade. A noite jantamos no El Asador Patagonico, onde comemos uma carne maravilhosa, recomendamos muito! 

Vista do Refugio Laguna Amarga


Avistamos Zorros, para a alegria da Clara



Trilha para o Mirador Cuernos

Mirador Cuernos

Mirador Cuernos



Salto Grande




Ponte para o Hotel e Restaurante Pehoe

Ponte na trilha do mirante Grey

Mirante do Glaciar Grey

Glaciar Grey - vista com muito zoom

Vista das montanhas do lado do Grey

Sala do Refugio Laguna Amarga

Refugio Laguna Amarga

Caminho para o Hotel e Refugio Las Torres


Cafeteria Las Torres

Lago Sarmiento - Até a próxima Torres del Paine!

Visuais inesquecíveis

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Torres del Paine - Patagonia Chilena - Parte 2


A principal característica de Torres del Paine sem dúvida é a beleza do lugar. Para todo lado que se olha as paisagens são maravilhosas. Na minha primeira ida a Torres em algumas ocasiões me sentia "chocada" com tanta beleza. Quando cheguei na base das Torres tive vontade de chorar com aquele cenário, fiquei muda por um bom tempo só admirando. Enfim, difícil descrever, as fotos mostram muito do que é aquele lugar, mas garanto que pessoalmente é muito mais emocionante!
Talvez uma segunda característica de Torres seja os altos preços de hospedagem e alimentação. Claro que para quem viaja com mochila, só acampando nas áreas gratuitas e carregando a própria comida, pode ser bem diferente. Mas não era nosso caso. As opções de hospedagem variam entre caras, muito caras e caríssimas! Não estou falando isso para desanimar ninguém, até porque vale cada centavo pago, mas só para que quem estiver interessado em visitar fique preparado.
Como decidimos fazer essa viagem um pouco em cima da hora e janeiro é alta temporada, não havia muitas opções de hospedagem (pagáveis para nossos padrões). Nós queríamos ficar hospedados no Parque ou perto dele, pois a ideia era aproveitar bem os 3 dias rodando no Parque e não em deslocamentos. Por sorte conseguimos uma hospedagem bem rústica que super valeu a pena. Ficamos no Refugio Laguna Amarga, que fica bem próximo à portaria Laguna Amarga e tem uma vista fantástica das Torres del Paine. O local é bem simples, só ligam o gerador de energia elétrica 2x por dia, um período de manhã e outro a noite (desligavam as 22h), pegamos um quarto com banheiro, tinha água quente e aquecedor nesses horários. Além dos quartos, o refúgio conta com um restaurante com café da manhã incluído na diária, e com uma sala de uso comum com uma grande vidraça e a vista impagável das Torres, que também podem ser vistas de qualquer lugar do terreno. O refúgio atendeu perfeitamente nossas necessidades, só aquele visual já valeu a pena. A única coisa que não gostamos muito foi a comida do jantar, que era pago a parte, bem caro (U$25). Diante da falta de opções acabamos comendo por lá nas 2 noites, em uma estava ruim e na outra estava razoável, deixando muito a desejar, poderiam caprichar bem mais. Por sorte levamos nossas comprinhas feitas no supermercado de Puerto Natales e ficamos tranquilos. Ah, informação importante: só aceitavam pagamento em dinheiro, tanto para a hospedagem quanto no restaurante. 
A estrada, principalmente a partir de Cerro Castillo, até Torres del Paine já dá amostras do que iremos encontrar por lá. A vontade é parar o tempo todo para tirar fotos. Fizemos algumas paradas até chegarmos ao Refugio Laguna Amarga, já no meio da tarde. Cada trecho parece mais bonito que o anterior, sem contar os bandos de Guanacos compondo a paisagem.
Nesse primeiro dia deixamos as malas no hotel, e saímos para um primeiro reconhecimento. Fomos até a Portaria do Parque Torres del Paine, setor Laguna Amarga, que fica bem pertinho do Refúgio, e já compramos nossos ingressos, que tem validade de 3 dias se carimbados no verso. Foi ótimo termos comprado os ingressos a tarde, pois no dia seguinte pela manhã as filas eram grandes e pudemos entrar bem mais rápido.
Seguimos na estrada interna no sentido Los Cuernos, pensando em visitar alguns mirantes. O vento estava especialmente forte nesse dia, com rajadas fortíssimas que parecia que iam levar o carro junto. Chegamos até o Mirador Nordenskjold e realmente o vento dava medo e incomodava. Decidimos então voltar e deixar essa parte do Parque para o dia seguinte. Voltamos e fomos até a Cascada Paine e depois Laguna Azul, que é linda! O tempo não estava muito bom, o maciço das Torres meio coberto e o vento muito forte, o que prejudicou um pouco, por isso nem ficamos muito tempo. Destaco que apesar de ser alta temporada, não havia ninguém nem na cachoeira nem na Laguna Azul. Já era final do dia e decidimos voltar para descansar, além de poder curtir um pouco o visual do Refúgio.

Continua... 

Belezas na estrada

Bando de Guanacos

A cada curva da estrada uma nova paisagem ainda mais bonita

As Torres!!! Também todo o maciço e a Laguna Amarga

Laguna Amarga


O quarto do Refugio, bem simples, mas funcional

Refugio Laguna Amarga - a casa ao fundo é a recepção e restaurante

Em frente à portaria Laguna Amarga

Preços dos ingressos

Lago Sarmiento

Placas explicam a formação do relevo

Cascada Paine


Nós realmente amamos Guanacos!

Vista das Torres a partir da Laguna Azul (é bem mais bonito ao vivo)

Restaurante / Refeitorio do Refúgio

Refugio Laguna Amarga, casa onde ficava nosso quarto


Veja o primeiro post da viagem para a Patagonia Chilena aqui.
Informações gerais sobre o Parque aqui ou aqui.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Viagem de férias - Patagônia Chilena

Seguindo a tradição dos posts super atrasados, voltei para falar das férias de janeiro de 2018. A ideia inicial era somente visitar familiares no RJ, mas o bichinho das viagens vinha me corroendo, me fazendo pesquisar promoções de passagens aéreas e namorar diversos destinos. Fiz várias combinações de passagens e de repente apareceu uma opção bem interessante: RJ - Punta Arenas - Santiago - Brasília. Eu já conhecia Torres del Paine, tinha ido com uma amiga há mais de 10 anos, mas o Jorge e a Clara não. Achei que valia muito a pena voltar, pois é um dos lugares mais fantásticos que já fui. Dessa vez o esquema seria bem diferente da outra, pois não faria nenhum dos circuitos de trilhas e sim passeios de carro pelo parque. 

Minha primeira vez em Torres del Paine
Abro um parentesis para falar um pouco da primeira vez que estive em Torres del Paine, em 2005. Para quem não conhece, o Parque tem várias opções de trilhas, sendo que os circuitos mais famosos são o "O", que dá a volta completa, e o "W", que atravessa boa parte do Parque, incluindo as passagens mais famosas, que são as Torres, Los Cuernos e o Lago de nome impronunciável Nordenskjold. Para se fazer os circuitos é possível se hospedar e fazer as refeições (café da manhã, box lunch e jantar) nos refúgios espalhados pelo caminho, acampar em campings pagos ou até gratuitos, tem possíbilidades para todos os bolsos (e capacidades de carregar peso...). A estrutura em geral é muito boa, a comida nem sempre, mas nada que não dê para sobreviver. Importante salientar que atualmente só é possível fazer qualquer trilha com pernoite dentro do Parque se estiver com as reservas feitas com antecedencia, mesmo que seja para os campings gratuitos, é obrigatório, senão não se faz nenhuma trilha com pernoite.
Saímos de Brasilia com a intenção de fazer o O, com todas as reservas para refúgios e campings necessários para todo o trajeto, seriam 9 dias de trilhas. Chegando em Puerto Natales, cidade mais próxima do parque, fomos até a agência e acabamos decidindo fazer o Circuito W. Refizemos nossas reservas nos refugios e partimos. A diferença é que fizemos a trilha no sentido inverso do que a maioria das pessoas faz e ficamos um dia a mais que o normal, 6 dias. Dormimos todos os dias nos refúgios e contratamos as refeições também, a ideia era carregar menos peso. Nem preciso dizer que esta foi uma das experiências mais fantásticas da minha vida. O lugar é incrível, de uma beleza indescritível. Quando chegamos na base das Torres del Paine, depois de uma caminhada bem puxada que parecia não ter fim, a paisagem era surreal de tão linda. Os refúgios em geral são muito agradáveis, em lugares especialmente bonitos, com gente do mundo inteiro dividindo as mesas na hora das refeições. Foi realmente incrível! 
Depois dos 6 dias de trilhas, voltamos para Puerto Natales. Fizemos um passeio bate e volta até Calafate, onde visitamos o Glaciar Perito Moreno. Não recomendo muito esse passeio porque a distancia é bem grande, acaba ficando corrido demais. Depois Punta Arenas, onde visitamos uma Pinguinera muito legal, uma passada bem rápida por Santiago e depois Buenos Aires. Foi uma delicia!

Ponto alto da trilha: base das Torres del Paine - lugar inacreditável!

Glaciar Grey

De volta a 2018...
Aquelas paisagens ficaram marcadas na minha memória e queria muito voltar, acho que vou querer sempre. No entanto achava que seria perrengue demais com crianças. Quando comecei a pesquisar vi que era totalmente possível fazer um passeio bem mais light com criança e me animei. 
Chegamos em Punta Arenas tarde da noite, depois de um voo bem longo, com uma conexão relampago (quase perdemos o voo) em Santiago. Não conseguimos nem comer durante o dia todo, mas chegamos tão exaustos que fomos direto dormir.  
Nosso primeiro Hotel foi o Best Western Finis Terrae, boa localização, com um restaurante no ultimo andar muito agradável com otima vista. Ficamos 2 noites em Punta Arenas. Estávamos doidos pra mostrar os pinguins pra Clara, mas infelizmente a Pinguinera Otway, que eu visitei na outra viagem, está fechada desde 2016, uma pena. Disseram que pinguins pararam de ir ao local. A única opção agora é ir a Isla Magdalena que fica bem distante, umas 2 horas de ida mais 2 de volta, no mar agitado do Estreito de Magalhães. Além disso é um passeio bem caro, acabamos não fazendo.
Neste primeiro dia em Punta Arenas andamos bastante pela cidade, trocamos dinheiro, comemos muito bem, visitamos a Zona Franca e pegamos nosso carro alugado.

Hotel Best Western Finis Terrae

Restaurante no ultimo andar do hotel, com vista da cidade

Restaurante La Marmita, super charmoso e comida ótima

Plaza de las Armas

Fizemos amizade com a cachorrada toda

Muelle em Punta Arenas - Estreito de Magalhães / Cão e Cormorões

Orla de Punta Arenas

No outro dia pegamos a estrada para Puerto Natales. A viagem foi bem tranquila, as estradas são boas e tem pouco movimento. A ventania é que estava uma loucura nesses dias, fizemos uma parada para tirar fotos e o vento quase nos carregava, o carro se balançando todo. 

Em Puerto Natales, seguimos a dica da Claudia (Felipe Pequeno Viajante) e ficamos no Hallef, hotel simpático e bem localizado, gostamos! A cidade é muito bonitinha e agradável, eu já tinha adorado da outra vez e pude confirmar minha primeira impressão. Fizemos algumas comprinhas no supermercado, circulamos pela cidade, fomos até a Costanera e passamos um bom tempo por lá admirando a paisagem e os monumentos, Clara brincando no parquinho e na pista de skate, bem legal. 


Costanera em Puerto Natales


Monumento ao vento e pista de skate


Dia seguinte pegamos a estrada para o Parque Nacional Torres del Paine. Importante lembrar de abastecer o carro e sair com o tanque bem cheio, já que não tem posto de gasolina por lá. Fomos direto, admirando a paisagem e assustados com o vento, até Cerro Castillo, um povoado que fica bem perto do Parque. Paramos no Restaurante / Café El Ovejero, lugar super legal e pitoresco, boas opções de lanches, comemos sopa e empanadas, muito gostosos. Impossível esquecer a ventania que estava nesse dia! O carro balançava todo, quando paramos e tentamos descer precisava de força para abrir a porta do carro e para segura-la, uma loucura. Em alguns trechos curtos a estrada estava sem asfalto e algumas vezes o carro deslizava no cascalho, levado pelo vento. Em um trecho vinha um onibus em sentido contrário e nosso carro começou a ser empurrado lateralmente. O onibus parou e esperou nossa passagem por esse trechinho de terra, pois no asfalto o carro ficava mais firme, um tanto assustador. Em alguns trechos mais descampados tem placas avisando dos riscos do vento e realmente era muito forte.

Beleza por todo lado

El Ovejero - Rustico por fora...

Aconchegante por dentro.

Comida boa!

El Castillo

El Castillo

Vou dividir o post pra não ficar tão grande. Continua no proximo post...


Todas as informações sobre o Parque Nacional Torres del Paine aqui: https://torresdelpaine.com/